domingo, 7 de março de 2010

Bizet, Georges - Carmen

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Carmen - Rosa Ponselle
Don José - René Maison
Micaela - Hilda Burke
Escamilo - Julius Huehn
Frasquita - Thelma Votipka
Mercedes - Helen Olheim
Le Remendado - Giovanni Paltrinieri
Le Dancaire - George Cehanovsky
Zuniga - Louis D'Angelo
Morales - Wilfred Engelman

Metropolitan Opera Orchestra and Chorus
Gennaro Papi, April 17, 1937



Depois desta apresentação, em Cleveland, Rosa Ponselle disse que nunca mais pisaria num palco.
Dito e feito!
Segundo consta, em parte por causa do casamento naquele mesmo ano, mas em boa parte por causa
das críticas recebidas exatamente por sua atuação em Carmen.

Gravações em estúdio feitas no início da década de 50 comprovaram que, pela qualidade da voz, ela
ainda poderia ter encantado platéias por muitos e muito anos...
Vale a pena ouvir esta Carmen, se não pelo prazer de ouvir La Ponselle, então para tentar entender
se ela fez bem ou não de abandonar a carreira de forma tão repentina e precoce.
Seja como for, com ela terminamos esta pequena coleção de Carmens.




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7 comentários:

Anônimo disse...

acabei de ler uma alentada biografia de Rosa Ponselle, publicada há algum tempo, em comemoração ao centenário de seu nascimento. As razões de seu abandono dos palcos são um pouco mais complicadas do que o casamento ou as críticas ruins que recebeu por sua interpretação de Carmen. Na verdade, desde o seu início como cantora lírica, em 1918 (ou seja 19 anos antes de abandonara cena), ela nutria uma insegurança pessoal em relação ao seu desempenho no palco e à extensão de sua voz (o que a fazia evitar o dó agudo e as notas acima, obrigando os maestros a fazer as devidas transposições) que se tornou doentia e absolutamente desgastante com o passar dos anos. Por outro lado, preferia os concertos às óperas, onde ganhava mais e podia ter controle sobre o repertório, datas,etc. Ao decidir-se sair de cena, ela ainda nutria alguns projetos que não foram de forma alguma abandonados, embora visse o rompimento de seus contratos com o MEt como uma forma de libertar-se de uma carreira ( de cantora) que exercia exaustivamente desde os 14 anos de idade. Casamento e críticas têm de ser analisados dentro de um contexto mais amplo que envolvia outras decisões e vontades pessoais dela, em 1937.

GLÒRIA disse...

This is a narvelous gift. Thanks!!!

Alê disse...

Em 1937, logo após seu casamento com Carle A. Jackson, de Baltimore, Rosa Ponselle abandonou os palcos operísticos repentinamente, com apenas 40 anos. Sua última performance ocorreu em 17 de abril de 1937 em Cleveland, tendo sido preservada em gravação radiofônica, que mostra sua voz ainda em excelente estado, embora nitidamente menos flexível no registro agudo.

Sua aposentadoria precoce, segundo alguns, se deveu às críticas negativas recebidas pela sua polêmica Carmen. Entretanto, na sua biografia feita por James A. Drake ("A Centenary Biography"), o evento é relacionado à recusa do Metropolitan Opera em produzir para ela a ópera Adriana Lecouvreur, de Francesco Cilea, o que a teria desagradado bastante, dentre outras divergências com a direção do teatro. Procurando novos desafios, Ponselle fez um teste para o cinema, em Hollywood, cujos vídeos, em que ela canta árias de Carmen, ainda existem. Entretanto, o estúdio foi reticente quanto ao seu potencial, e o cachê requerido pela diva - de 1 milhão de dólares - fez encerrar o negócio. Isso, aliado ao seu desejo de aproveitar mais o tempo com o marido, provavelmente levaram à sua repentina decisão.

Em 1954, Ponselle fez uma série de gravações de canções e árias de óperas em sua propriedade Villa Pace (uma homenagem à célebre ária Pace, pace, mio Dio! de La Forza del Destino), próximo a Baltimore, onde viveu desde os anos 1940 até sua morte. Nelas, ela mostra um estado vocal ainda bastante satisfatório, mantendo o mesmo timbre inconfundível de outrora.

Ponselle se notabilizou pelo legato impecável e suave e pela voz dramática de grande porte, dotada de um incofundível timbre cálido, voluptuoso e límpido. Possuía também uma grande extensão vocal - que no auge ia do Dó2 ao Dó5 [8] -, o que lhe permitia emitir desde graves de peito dignos de contralto até o registro agudo, possante e brilhante, embora, especialmente na fase posterior de sua carreira, problemático para atingir notas próximas ao Dó5, do qual ela abertamente declarou ter medo. Em entrevista de 1955, disse que a primeira coisa que fazia ao avaliar um possível novo papel era contar o número de Dó5 que o papel possuía.


O crítico do New York American, Max Smith, comentou sobre sua performance:

"It was difficult to believe that Miss Ponselle's earlier stage experiences had been confined to vaudeville, so much assurance she exhibited yesterday while facing a gathering that might well have unnerved her. To judge from her demeanor and her acting one would have taken her to be a youthful singer well versed in the routine of lyric drama. Always in gesture, in pose, and in facial expression did she seem to have perfect command of herself. And this gave cause for quite as much surprise as did the quality of her voice, the control she exerted over it while supporting her tones on an ample supply of breath, and the dramatic intensity she so spontaneously infused in her singing."[2


Pelo que se vê ela jamais foi insegura a respeito de suas potencialidades, e eventuais preocupações com o Dó5 aconteceram NA FASE POSTERIOR DA SUA CARREIRA, isto é, após ela ter abandonado o palco.

Logo, não foi isso que determinou o seu afastamento

No mais, explicações satisfatórias ela mesma nunca deu a nínguem. O casamento, as criticas recebidas após a apresentação de Carmen ou a recusa do MET em relação a uma montagem de Adriana Lecouvreur são hipóteses, pois ela mesma, nas várias entrevistas que deu, jamais deu uma explicação convincente ou taxativa para ter abandonado a carreira.

Vai ver preferiu deixar que os tolos tentassem adivinhar as verdadeiras razões com o passar do tempo...


Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_Ponselle

Chiaroscuro disse...

Thank you for this marvelous upload!!

Anônimo disse...

bastante interessantes os comentários; porém, citando o próprio Julius Drake e sua biografia ( à qual me referi), gostaria de argumentar:

paágina 153: (palavras da cantora): I wasn't to confortable with D'Amor sul'ale rosee. That's because the trouble I had with the high C in " O patria mia" during my first Aida. That spooked me until I found out it was all right to transpose. So after a while, I took D'amor sull'ali rosee a half-tone down,and it felt just fine.

página 212: Another source of anxiety was Ponselle's terrible phobia about high notes. She was petrified with fear each time she stood in the wings waiting for her cue. ... She was sure she would never make high notes. Norma only deepened her anxiety, although Serafin's assent to lower-key transpositions...offered her a measure of mental relief. (reduzi o texto por economia)

somente dois exemplos, um Aida , do início da carreira e outro, Norma, da segunda metade dos anos 20; ambos de quando ela estava em seu apogeu.

Alê disse...

É verdade... Ela devia ser muito insegura para se dar ao luxo de exigir do MET uma montagem da Adriana Lecouvreur ou pedir um milhão de dólares para fazer um musical em Holywood, e isso quando já havia abandonado o palco, isto é, quando estava mais do que nunca necessitando de “transposições”.
Vai ver foi apenas para consolar a pobre Rosa Ponselle que o N.Y Times disse que ela foi uma das maiores sopranos do século, SENÃO A MAIOR, sem falar que a própria Maria Callas se declarou abertamente fã dela, admitindo, inclusive, haver se inspirado nela ao determinar o seu estilo...
Mais ainda, entrevistada no início da década de 50, quando perguntaram sobre Rosa Ponselle, aquela que até hoje é considerada a maior soprano de todos os tempos simplesmente respondeu: “Todo mundo sabe que ela (Rosa Ponselle) É (não disse FOI) a melhor de todas”.
Como a Ponselle em 50 não estava doente, nem tampouco à beira da morte, já que só veio a falecer 30 anos depois, acho pouco provável que a Maria Callas estivesse sendo apenas gentil.

Mas, como não sou a dona da verdade, sua opinião, ainda que envolta num manto de anonímia, fica aqui registrada.

domingo disse...

acho que me fiz entender mal: gosto demais da Ponselle, como cantora, como artista e como ser humano que foi. Conheço e aprecio as suas gravações, tanto as da década de vinte e trinta, quanto as da Villa Pace, de 1954. A sua percepção de sua arte e a avaliação dos colegas com quem contracenou é sensacional; se tivesse escrito uma autobiografia, seria o melhor e maior documento sobre os canto nos Estados Unidos nas décadas de vinte e trinta.
Se foi ou não a maior cantora do século XX, é uma questão de escolha ( não concordo plenamente)...
Porém, uma leitura acurada do livro do Drake recoloca, e bem, muitos do mitos criados em volta da cantora em sua devida proporção.